Descrição
Recinto alongado, orientado no sentido E-W, com cerca de uma centena
de menires, na sua maioria de forma ovóide; a escavação
do monumento permitiu, ainda, localizar os vestígios das
estruturas de implantação de outras duas dezenas
de prováveis menires. O recinto apresenta uma maior concentração
de monólitos, comparativamente os maiores do conjunto,
no lado ocidental; na extremidade oriental, em contrapartida,
parece ter-se complexificado, sobretudo com menires de menor porte,
a área de acesso ao interior do monumento. Destaca-se,
por outro lado, um conjunto de menires decorados, dispersos pelas
diferentes áreas do recinto, a maior parte dos quais com
motivos organizados de forma sugestivamente antropomórfica
(lúnulas, círculos e quadriláteros), ou com
báculos.
Contexto
arqueológico
O recinto dos Almendres ocupa, na região, uma área
relativamente central, no contexto da mancha de dispersão
dos menires e recintos megalíticos do distrito de Évora,
relacionando-se espacial e paisagisticamente com os recintos das
Portela de Mogos e Vale Maria do Meio, com o par de menires de
S. Sebastião e os menires do Monte dos Almendres e Vale
de Cardos, entre os mais notáveis. Parece igualmente significativa
a estreita associação espacial com a Anta Grande
do Zambujeiro. Foram, ainda identificados vários pequenos
núcleos de habitat, em redor do recinto, sobretudo a Este
e a Sul, com materiais que apontam, genericamente, para cronologias
do Neolítico antigo/médio.
Contexto paisagístico
Este recinto megalítico implanta-se junto ao topo de uma
encosta, exposta a Nascente, ocupando uma posição
muito semelhante, em termos topográficos e geológicos,
à do da Portela de Mogos e, até certo ponto, do
Vale Maria do Meio; a mesma estrutura paisagística abrange
igualmente o conjunto de menires da Pedra Longa e ainda, de forma
notória, os menires de S. Sebastião.
Trata-se, em quase todos os casos, de localizações
relativamente elevadas na paisagem regional, correspondendo aos
limites orientais da serra de Monfurado e em posição
sobranceira em relação à peneplanície
que se desenvolve para Leste e Sul. O substrato geológico
é, à semelhança de todos os outros casos
referidos, constituído por gnaisses e migmatitos, enquanto
as áreas mais deprimidas adjacentes são constituídas
maioritariamente por terrenos graníticos.
Observações
O recinto foi identificado e dado a conhecer, ainda nos anos 60
do século passado, por H.L.Pina, tendo vindo a ser escavado
e restaurado entre os finais dos anos 80 e inícios dos
anos 90, pelo Arq.º M.V. Gomes. Note-se, porém, que
alguns monólitos tinham já sido reerguidos, sem
metodologias arqueológicas, pelo proprietário da
Herdade.
Bibliografia
Pina, 1971: 152-155; Gonçalves, 1995: 245; Alvim, 1996-1997;
Gomes, 1997b; da Silva, 2000; Gomes, 2002.