gema
grupo de estudos do megalitismo alentejano

 
 

INTRODUÇÃO

"Um certo ar de família"
menires, recintos e os idiomas da arquitectura megalítica no Alentejo

Recentemente tive oportunidade de discorrer sobre uma série de aspectos da arquitectura dos recintos megalíticos do Alentejo Central, em particular como ela se refere às paisagens locais e aos ciclos do Sol e da Lua.Algumas das conclusões dessa análise vieram reforçar algo já constatado antes, isto é, que menires e recintos megalíticos revelam um modo globalmente diferente de lidar com a construção do espaço sagrado em comparação com o outro idioma com que estão relacionados, o dos dólmenes de corredor associados às áreas graníticas do Alentejo, com os quais revelam uma relativa segregação em termos de distribuição territorial.O contraste dos dois idiomas arquitectónicos tem sugerido, por um lado, a diacronia de monumentos abertos e fechados, sendo, nesse caso, os menires e recintos anteriores aos dólmenes visto estarem quase sistematicamente associados a contextos Neolíticos antigos. Por outro lado, esse mesmo contraste sugere uma qualquer alteração nas práticas sociais e religiosas que terá conduzido, eventualmente, à optação por um idioma arquitectónico diferente, adaptando-se talvez a práticas emergentes nas comunidades neolíticas.
A arquitectura de espaços sagrados tende a reflectir as práticas sociais e religiosas, respondendo a um “programa” de necessidades e dando continuidade à reprodução dessas mesmas práticas: teoricamente, a optação por outro idioma arquitectónico poderá revelar a transformação ou redefinição das práticas correntes (e eventualmente da ideologia que lhes está associada), com continuidades e descontinuidades decorrentes da própria história.
Este pequeno ensaio pretende, ao resumir algumas características intrínsecas aos diferentes tipos de monumentos, discutir implicações relacionadas com a reprodução dos idiomas da arquitectura megalítica alentejana.