gema
grupo de estudos do megalitismo alentejano

 
 

 

1. A "mesopotâmia" Tejo, Sado, Guadiana: um cenário megalítico

O Alentejo Central é uma região de peneplanície drenada pelas bacias dos rios Tejo, Sado e Guadiana e enquadrada pelos relevos, relativamente pouco expressivos, da Serra de Ossa, da Serra do Mendro e da Serra de Monfurado. Geologicamente, a região é constituída fundamentalmente por granitos e rochas granitóides e por xistos (e outras rochas metamórficas afins); destacam-se, ainda, algumas manchas detríticas, de idade terciária, e uma mancha de rochas carbonatadas (mármores e dolomitos); em termos administrativos, o Alentejo Central coincide, mais ou menos, com o actual território do distrito de Évora.
No mapa da distribuição do megalitismo funerário (dolmens) na Península Ibérica (Leisner e Leisner, 1959), o Alentejo Central destaca-se claramente como a mancha mais densa, aspecto que se pode também relacionar com a presença de alguns monumentos excepcionais, em termos de dimensões, de entre os quais se destaca a conhecida Anta Grande do Zambujeiro (Valverde, Évora).
A partir de meados dos anos sessenta, com alguma surpresa (uma vez que nessa altura, Georg e Vera Leisner já tinham identificado e publicado centenas de dolmens alentejanos), começaram a surgir os primeiros menires (isolados ou agrupados em recintos megalíticos); hoje, só no Alentejo Central conhecem-se mais menires do que em qualquer outra área da Península Ibérica.
Por outro lado, os trabalhos de prospecção desenvolvidos nos últimos anos, permitiram identificar, na região centro-alentejana, uma densa rede de povoamento do Neolítico Antigo que constitui igualmente uma das maiores concentrações de vestígios dessa época, à escala peninsular.
É óbvio, portanto, que o Alentejo Central foi palco de "acontecimentos" de particular relevância no teatro do Neolítico e, particularmente, do Megalitismo europeu.
O presente trabalho, notoriamente regionalista, pretende avançar um contributo para responder à questão "o que é que o Alentejo Central tem de especial?", numa perspectiva que parte de uma análise da paisagem regional, em diversos níveis, e se centra nos dados e nos modelos disponíveis para a génese do megalitismo e da neolitização.

Povoados do neolítico antigo
Povoados neolíticos
Monumentos funerários
Menires e recintos megalíticos

 

2. Os menires e a paisagem

Excluindo alguns exemplares desgarrados e recordando que, fora do Alentejo Central, nas áreas limítrofes, praticamente não se conhecem recintos megalíticos (ressalva-se o possível recinto do Alminho, em Ponte de Sor, o recinto do Monte Novo, em Sines, e o amontoado de menires minúsculos do Torrão, em Elvas), é possível agrupar os menires alentejanos em três grandes conjuntos: Évora-Montemor, Reguengos de Monsaraz e Pavia, por ordem decrescente, em termos do número e dimensão dos monumentos conhecidos.
Quanto à matéria-prima, os menires do Alentejo Central são constituídos, na sua esmagadora maioria, por rochas granitóides, pelo que, como é natural, a sua distribuição na paisagem centro-alentejana correlaciona-se directamente com a ocorrência de afloramentos deste tipo de rochas.
Esta relação não implica, no entanto, que os menires se implantem, na sua totalidade, em terrenos graníticos: pelo contrário, a maior parte dos menires da região localiza-se fora daquelas manchas geológicas, embora, em geral, a distâncias que oscilam entre as escassas dezenas de metros e um par de quilómetros.
No que, em particular, diz respeito aos recintos megalíticos parece ter havido, efectivamente, na eleição dos respectivos locais de implantação, uma intenção clara (eventualmente traduzida sob a forma de preceito ritual) de evitar, sistematicamente, a sobreposição com o substrato granítico. Na verdade, se exceptuarmos os exemplares da área de Reguengos de Monsaraz (em particular o problemático monumento do Xarez) os recintos megalíticos alentejanos estão todos implantados nos terrenos detríticos, de idade terciária, e nos terrenos de gnaisses que bordejam as manchas graníticas.
Quanto aos menires isolados, nota-se uma maior flexibilidade, embora, em geral, mesmo quando instalados em terrenos graníticos, se tenha evitado a proximidade imediata de afloramentos conspícuos: nesses casos, os locais escolhidos foram sempre "clareiras", naturais ou artificiais, sem qualquer tipo de afloramentos.
Na verdade, uma parte significativa dos menires alentejanos parece demarcar as fronteiras entre os granitos e outras manchas geológicas; trata-se, evidentemente, de linhas de separação entre paisagens físicas muito distintas, interfaces frequentemente privilegiadas na geografia do sagrado (Taçon, 1999: 41).
Os grandes recintos megalíticos da área de Évora-Montemor-o-Novo encontram-se, quase todos, sobre ou nas proximidades imediatas de outra linha estrutural da paisagem centro-alentejana: as linhas de divisão das bacias hidrográficas do Tejo e do Sado, charneiras entre mundos definidos pela circulação das águas e, ao mesmo, tempo, importantes vias naturais de trânsito.
Numa escala mais aproximada, a disposição dos menires na paisagem imediata parece seguir também algumas constantes:
1. Localização junto ao topo de encostas expostas a Nascente;
2. Diminuição do tamanho dos menires, acompanhando o declive do terreno no sentido descendente, no caso dos recintos megalíticos.

 

3. Os primeiros povoados

Até muito recentemente, parecia não haver vestígios de povoamento do Neolítico Antigo, no Alentejo Central; de facto, as primeiras ocorrências foram identificadas na Gruta do Escoural (Santos, 1971), um contexto que, por ser muito peculiar, permitia supor uma presença apenas esporádica de grupos portadores de cerâmica cardial; essa presença chegou mesmo a ser posta em causa, num trabalho recente, porque não eram "conhecidas, até ao momento, outras jazidas arqueológicas deste período, no interior alentejano" (Araújo e Lejeune, 1995: 54). Acreditava-se, pois, que o Neolítico Antigo era um fenómeno exclusivamente relacionado com a "proximidade de recursos aquáticos, sejam eles marítimos, estuarinos ou fluviais" (Arnaud, 1981: 31).
Porém, os primeiros trabalhos no Regolfo da Barragem do Alqueva, em meados dos anos oitenta, tinham já dado a conhecer (Silva e Soares, 1992) os três primeiros sítios de ar livre atribuíveis a momentos antigos na sequência neolítica regional, todos nas proximidades do Rio Guadiana. Ainda nos anos oitenta, foram descobertos outros três povoados dessa mesma época, na área de Evora-Montemor (Gomes, 1994).
Na década de noventa, no decorrer de um projecto de prospecção regional cujo objectivo era contribuir para a contextualização arqueológica do fenómeno dos menires do Alentejo Central, identifiquei um elevado número de locais de habitat com cerâmicas impressas e incisas, entre outros elementos recorrentes no mundo do Neolítico Antigo meridional (Calado, 1995; Calado e Rocha, 1996; Calado e Sarantopoulos, 1996; Diniz e Calado, 1997), nomeadamente as indústrias microlaminares, as flechas transversais, os segmentos. A estes povoados, localizados, maioritariamente, na área de Évora-Montemor acrescentaram-se, posteriormente, alguns outros na área de Reguengos de Monsaraz (Calado e Mataloto, 1999; Silva, 1999; Gonçalves, 2000), descobertos em novas prospecções no Regolfo da Barragem do Alqueva.
Para além de alguns dos sítios recentemente escavados ou ainda em fase de escavação na barragem do Alqueva (Gonçalves, 1999: 39-40), foram apenas efectuadas sondagens de emergência, ainda inéditas, no povoado de Patalim (Montemor-o-Novo) e estão em curso escavações no povoado da Valada do Mato (Évora). Estes trabalhos permanecem ainda inéditos, excepto uma notícia preliminar sobre a Valada do Mato (Diniz e Calado, 1997).
Sabemos pouco sobre o tipo de habitat a que correspondem os referidos sítios de ar livre, conhecidos sobretudo através dos achados de superfície; aliás, mesmo quando escavados, os povoados do Neolítico Antigo meridional têm-se revelado geralmente pouco esclarecedores sobre o tipo de estruturas domésticas ou mesmo o modelo económico envolvido (Patton, 1994: 283).
Na perspectiva que aqui nos interessa, a da relação com a paisagem, há, no entanto, alguns aspectos a reter: por um lado, a densidade extremamente elevada de sítios deste tipo nas mesmas áreas onde se concentram os menires e recintos megalíticos e o vazio deles onde os menires escasseiam; por outro, o facto de quase todos se implantarem em locais onde se destacam afloramentos graníticos notáveis.

"Em toda a região granítica afloram os penhascos, espalhados pelos campos em grandes blocos, às vezes de formas esquisitas" Leisner e Leisner, 1951: 14. Esta observação dos arqueólogos alemães, sem grandes consequências, uma vez que os Leisner não identificaram praticamente locais de habitat pré-históricos, encontra um antecedente curioso na obra de Virgílio Correia (Correia, 1921:) que, com base apenas na sua intuição, assumiu a utilização dos espaços demarcados por grandes afloramentos graníticos como santuários neolíticos (Correia, 1921: 97-101).

Esse tipo de preferência paisagística, largamente verificada em inúmeros paralelos etnográficos e arqueológicos (Taçon, 1999: 40, 44; Buikstra e Charles, 1999: 203; Barnes, 1999: 111; Knapp e Ashmore, 1999: 11, 15; Theodoratus e Lapena, 1998: 23; Mulk, 1998: 125; Bender et al., 1997; Bradley, 1997: 95), foi recentemente analisada no povoamento pré-histórico do Sudoeste da Inglaterra, num trabalho em que se destaca o arranque do fenómeno ainda no Mesolítico, época em que, segundo C. Tilley, os afloramentos seriam valorizados culturalmente como "megálitos naturais", não domesticados, enquanto no Neolítico os mesmos seriam integrados em recintos habitacionais ou rituais (Tilley, 1996: 165).

Standing stones and natural outcrops.
Coluna da esquerda, de cima para baixo: Tojal, Almendres e S.Sebastião;
Coluna da direita, de cima para baixo: Paicão, Vale Maria do Meio e Oliveira 5 (sítios do Neolítico Antigo).

A semelhança entre alguns tors graníticos e dolmens arruinados sugeriu a R. Bradley uma outra linha interpretativa, segundo a qual não só é possível que os monumentos se inspirassem em formações rochosas naturais, mas também que estas formações tivessem sido olhadas, pelas populações neolíticas, como ancestrais monumentos em ruínas (Bradley, 1998: 20).
No caso alentejano, é de admitir, como veremos mais adiante, uma ocupação, pelos primeiros "colonos" neolíticos, de lugares aos quais teria sido previamente atribuído significado cultural pelas populações mesolíticas instalados nas terras baixas dos estuários adjacentes.
O facto de os territórios graníticos se localizarem a umas horas de marcha dos estuários do Tejo e do Sado, onde os caçadores-recolectores mesolíticos tinham as suas bases logísticas, não obsta a que, como áreas liminares, tenham sido objecto de sacralização. Recorde-se que as paisagens estuarinas carecem absolutamente de afloramentos rochosos; por outro lado, "sacred sites and places are sometimes physically empty or largelly uninhabited, and situated at some distance from the populations for which they hold significance" (Hirsch, 1997: 4). A ideia de uma heterotopia dos locais sacralizados em relação ao mundo da vida quotidiana (Tilley, 1991: 137; Bradley, 1997: 6), parece fazer aqui todo o sentido,
Do mesmo modo que os menires, os povoados do Neolítico Antigo no Alentejo Central podem ser agrupados em três grandes conjuntos, também por ordem decrescente do número de sítios e da sua antiguidade aparente: Évora-Montemor, Reguengos de Monsaraz e Pavia. Note-se que a cerâmica cardial só é conhecida, por enquanto, no primeiro desses grupos, enquanto no último, a própria cerâmica impressa é apenas vestigial.

 

4. Waterworlds

Está praticamente ausente da literatura portuguesa sobre a emergência do Neolítico e do Megalitismo, no Alentejo Central, a possibilidade de uma relação com as populações do Mesolítico Final dos concheiros do Tejo e do Sado, apesar de a geografia da região o sugerir fortemente (Arnaud, 1981: 33).
A principal razão para esta lacuna prende-se, por um lado, com o modelo (ainda) vigente que considera o arranque do Megalitismo como um fenómeno tardio dentro do processo de neolitização, sendo tida como certa a suposta existência de uma fase prévia designada, por vezes, como Neolítico pré-megalítico (Diniz, 1994), com cerâmicas impressas e indústrias microlíticas; por outro lado, e por ausência de dados concretos, a própria neolitização do Alentejo Central tem sido atribuída a populações do Neolítico Médio, portadoras de cerâmicas lisas e enterrando os seus mortos em sepulturas proto-megalíticas (Zilhão, 1992: 162; Carvalho, 1998: 55), logo sem qualquer nexo directo com os últimos grupos mesolíticos.
Hoje em dia, sendo indiscutível a presença, numa escala antes insuspeitada, de um pujante Neolítico Antigo interior, com cerâmicas impressas, incluindo cardial, é urgente que se comece a equacionar a relação entre os primeiros ocupantes neolíticos do Alentejo Central e as populações que, nos estuários do Tejo e do Sado, estariam, na mesma altura, em vias de neolitização e de abandono dos habitats estuarinos tradicionais.
Note-se que, em termos fisiográficos, o Alentejo Central se relaciona intimamente com os estuários do Tejo e do Sado, através das respectivas redes hidrográficas e dos festos que as separam, podendo tratar-se de uma área de fronteira ou, pelo contrário, de contacto e interacção, entre as comunidades de ambos grupos mesolíticos.
É evidente que se admitirmos a existência de laços (de cooperação ou de competição) entre as populações dos concheiros do Tejo e do Sado, isso implica, naturalmente, uma valorização particular do Alentejo Central, área que se destaca como o hinterland de ambos conjuntos e onde encontramos sinais de continuidade do Neolítico local em relação às tradições tecnológicas que caracterizam o fundo indígena do Mesolítico Final, nomeadamente a utilização da técnica do microburil, identificada no povoado da Valada do Mato (Carvalho, n.p.: 8).

A neolitização do Alentejo Central teve, forçosamente, que inserir-se num qualquer processo de colonização, uma vez que, ao que tudo indica, a região estava virtualmente desabitada algures por meados do VI milénio; os caçadores-recolectores, instalados em terrenos terciários, sem afloramentos rochosos, seriam certamente frequentadores, mais ou menos esporádicos, dos terrenos graníticos centro-alentejanos, localizados a cerca de um dia de marcha (meio dia, no caso do Sado).
Os dados disponíveis permitem, obviamente leituras alternativas; no entanto, com base em alguns argumentos que a seguir serão discutidos, penso que as populações mesolíticas dos concheiros do Tejo e do Sado terão sido responsáveis pela ocupação dos territórios interiores, num processo que pode ter sido mais ou menos rápido. Em curso estava, certamente, a substituição de uma economia por outra, num contexto de mudança mais global, e num cenário geográfico que, apesar de contíguo, era radicalmente distinto das paisagens tradicionais mesolíticas.
M. Patton, a propósito da neolitização da Bretanha, recorda, nesse mesmo sentido, que "nor need we assume that the 'frontier' was between intrusive and indigenous populations: the communities on the Neolithic side may themselves have been indigenous people who had adopted the Neolithic way of life" (Patton, 1994: 288).
Creio que é neste ambiente de ruptura e de inovação (e, eventualmente de competição entre modos de vida radicalmente diferentes) que se deve procurar o fermento para a própria emergência do Megalitismo. Não é certo que possam ter sido os grupos mesolíticos, enquanto tais, os contrutores dos mais antigos megálitos, mas é bem possível que tenham sido essas populações ou uma parte delas, numa fase de profundas transformações culturais, ideológicas e económicas. E, ao que tudo indica, as primeiras manifestações do Megalitismo no Alentejo Central, devem ter sido precisamente os menires e recintos megalíticos, talvez a par dos discretos monumentos funerários protomegalíticos, alguns dos quais são morfologicamente muito semelhantes às sepulturas de Téviec e Hoëdic, mas de que, até agora, não se encontraram paralelos mesolíticos portugueses.

 

5. Alentejo Central-Bretanha

"The earliest Neolithic monuments in Brittany and Portugal may have been created while Mesolithic cemeteries were still in use" (Bradley, 1998: 34)
"The distribution of larger monuments of this form might be more consistent with Mesolithic antecedents then with an ultimate origin in the heartlands of Neolithic Europe" (Bradley, 1998: 61)

A comparação entre o megalitismo bretão e alentejano não é uma novidade na bibliografia portuguesa (Jorge, 1977; Calado, 1990; Gonçalves, 1996; Gonçalves, 1999: 65; Gomes, 2000), embora, em nenhum caso, tenha sido suficientemente discutida e aprofundada nas suas implicações mais relevantes; por outro lado, essa relação é quase imperceptível nos estudos sobre a realidade megalítica bretã.
É também curioso que, por razões que, até certo ponto, se relacionam com os universos estanques da investigação arqueológica, apesar de, nos estudos sobre os concheiros mesolíticos do Tejo e do Sado se fazerem comparações naturais com os concheiros bretões de Hoedic e Téviec (Arnaud, 1987: 63 ), essas comparações nunca tenham extravasado para a questão mais ampla da relação entre os últimos caçadores-recolectores e os primeiros construtores de megálitos.
A ideia chave, quer entre os defensores de modelos indigenistas quer no lado dos defensores das teses colonialistas, era, entre nós, a de que o megalitismo (e só se pensava, naturalmente, no megalitismo funerário) só seria viável numa fase amadurecida do sistema agro-pastoril.
Neste quadro teórico, tem-se aceitado, sem discussão, a existência de um Neolítico pré-megalítico; porém, embora a própria ideia de um Megalitismo pré-Neolítico devesse ser igualmente equacionada, creio que, no Alentejo e na Bretanha, a erecção de menires de pode atribuir, com elevada probabilidade, às populações indígenas em vias de neolitização; o Megalitismo seria assim parte integrante do processo, embora como uma achega original a acrescentar aos restantes elementos do "pacote neolítico" (Thomas, 1996: 131).
Há alguns anos, recuperando aliás uma observação clássica (Bradley, 1997: 18), A. Sherrat, fez notar a sobreposição entre as mais importantes áreas megalíticas europeias e os territórios das maiores concentrações populacionais durante o Mesolítico Final (Sherrat, 1990: 156), muito embora tenha prestado escassa atenção à realidade portuguesa.
Na Bretanha, a existência de enterramentos mesolíticos com estruturas pétreas, com cronologias aparentemente anteriores à chegada dos primeiros influxos neolitizadores, levou muitos autores a considerar a possibilidade de estes terem constituído o modelo dos primeiros monumentos funerários protomegalíticos (Renfrew, 1976; Scarre, 1992: 129; Thorpe, 1996: 61; Thomas, 1996: 132).
Por outro lado, a descoberta, a partir dos anos oitenta, da reutilização de alguns grandes menires bretões na construção de monumentos funerários megalíticos e protomegalíticos (Er-Grah, Table des Marchand, Gavrinis, Mané-Rutual, Mané-er-Hroëk, Petit Mont d'Arzon, Mané-Lud), implicou, desde logo, a aceitação, ainda que tímida, de uma cronologia recuada para o megalitismo não funerário (L'Helgouach, 1983; Le Roux, 1984; Patton, 1993; Thorpe, 1996: 59).
Posteriormente, outras observações de carácter cronológico têm vindo a confirmar a antiguidade dos menires bretões, nomeadamente a descoberta de vestígios de menires num habitat VSG (Cassen et al., 1998), ou a presença de um possível alvéolo de menir sob o tumulus mais antigo do Petit Mont d'Arzon (Lecornec, 1994; Bradley, 1998: 56, 58).
No entanto, face às imprecisões naturais na datação dos menires, o discurso sobre a génese do megalitismo nesta área (entendida quase sempre, como a própria génese do megalitismo europeu) tem-se centrado, por regra, na questão da antiguidade relativa entre os túmulos alongados, com estruturas funerárias fechadas ou mesmo sem estruturas pétreas, e as sepulturas de corredor, para as quais existem algumas datações (eventualmente discutíveis) da primeira metade do V milénio(Boujot et al.,1998: 150; Cassen, ; isto é, não tem sido desenvolvida a possibilidade de os menires constituirem um fenómeno mais antigo, em termos globais, que qualquer um dos tipos de monumentos funerários referidos.
Quando, em 1990, propus, pela primeira vez, uma anterioridade genérica dos menires em relação aos dólmens, os dados para suportar essa hipótese escasseavam (Calado, 1990); é certo que já se conhecia em Portugal um caso de sobreposição estratigráfica entre menires e uma sepultura megalítica, tendo esse sido, precisamente, um dos argumentos que, nessa altura, avancei para defender a antiguidade do megalitismo não funerário em relação ao megalitismo funerário; de facto, os escavadores, afirmam, sem hesitações que "não pode haver dúvidas que (os menires) são mais antigos que a construção do monumento pois já lá estavam cravados no terreno quando fizeram a grande construção sepulcral e ficaram depois incluídos na enorme mamoa que tudo cobria" (Almeida e Ferreira, 1972: 168).
A descoberta da maior parte dos povoados com cerâmicas impressas (Calado, 1995; Calado e Rocha, 1995; Calado e Sarantopoulos, 1995), em clara associação espacial com as principais ocorrências de menires, por um lado, e o aparecimento de alguns dados radiométricos para menires de outras regiões portuguesas (Gomes, 1994; Oliveira, 1997), mesmo se contestados (Zilhão, 1998: 39-40) vieram, nos últimos anos, dar uma achega a uma tal proposta cronológica, sugerindo, de uma forma mais consistente, uma proximidade cultural entre o megalitismo bretão e alentejano.
R. Bradley fez notar, num trabalho recente, que "in three regions, the Tagus valley, Morbihan and the Irish Sea, there are remains of shell middens. The first two of these groups are also associated with Mesolithic cemeteries" (Bradley, 1997: 21).
Para além de que seria necessário considerar, no mesmo raciocínio, também os concheiros do Vale do Sado, haveria, creio, que acrescentar outras coincidências significativas entre a Bretanha e o Alentejo Central (que, como vimos, deve ser considerado um background espacial em relação aos vales do Tejo e do Sado)
Para além da analogia entre os respectivos substratos mesolíticos e das cronologias recuadas em que se integram os menires de ambas regiões, existem outros pontos de contacto fundamentais entre a Bretanha e o Sul de Portugal.
Um dos aspectos mais exclusivos tem a ver com a planta dos recintos megalíticos bretões: trata-se maioritariamente de estruturas em forma de ferradura, com a abertura exposta a nascente (Scarre, 1998: 59); ora, com algumas variantes, todos os recintos alentejanos cuja planta é ainda mais ou menos reconhecível, apresentam igualmente essa morfologia.

Plantas dos Recintos Megalíticos Alentejanos

Também a temática iconográfica, representada nos menires bretões e alentejanos, parece implicar contactos profundos entre as comunidades que se reviram nela: desde logo, os báculos, o tema dominante nos menires alentejanos e que, associados a outros temas específicos, estão igualmente patentes nas grandes estelas-menires da Bretanha; a técnica do baixo relevo é outro dos aspectos comuns aos menires bretões e alentejanos (Patton, 1993: 90, 91).

O báculo do menir do Monte da Ribeira; Pastor alentejano moderno com báculo.

Outro dos temas recorrentes nos maiores recintos megalíticos alentejanos (Almendres, Portela de Mogos e Vale Maria do Meio) é o crescente lunar, reiteradamente associado a uma figura quadrangular; os mesmos elementos iconográficos aparecem, por sua vez, associados na decoração de alguns menires bretões, paralelo que, aliás, foi observado, pela primeira vez, por Jacques Briard (Briard, 1997: 21), comparando o menir de Kermaillard com um dos menires dos Almendres. Os exemplares representados no reverso da estela frontal da Table des Marchand, foram recentemente interpretados como simbolizando, respectivamente, o mundo ctónico e a Terra.

Motivos similares em menires decorados: Table des Marchands (Boujot et al., 1998) e Vale Maria do Meio.

É cedo para tentar estabelecer, entre os menires bretões e alentejanos uma filiação genética, num ou noutro sentido; é preferível, no estado actual dos nossos conhecimentos, considerá-los genericamente contemporâneos, embora as eventuais explicações baseadas numa suposta invenção paralela independente (Renfrew, 1972), sejam, a meu ver, pouco convincentes.
Em todo o caso, é natural, se admitirmos um cenário de contactos regulares entre as populações mesolíticas da Europa atlântica e, eventualmente, um contacto preferencial entre os grupos bretões e alentejanos, que as invenções tenham efectivamente circulado em ambos os sentidos.
Note-se que as semelhanças detectadas entre os menires bretões e alentejanos dificilmente encontram eco se compararmos os vestígios de habitat do Neolítico Antigo em ambas regiões.
Na verdade, a discussão sobre a origem do Neolítico bretão tem vindo a centrar-se em duas leituras opostas: por um lado, os que procuram filiá-lo nos grupos de ascendência centro-europeia (pós LBK), através da bacia parisiense e, por outro, os que, valorizando alguns elementos da cultura material (nomeadamente a cerâmica cardial), preferem inseri-lo num Neolítico meridional. com afinidades mediterrânicas.
Neste último caso, a opção mais razoável parece ser a que postula uma conexão com o Neolítico Cardial da França mediterrânica, através dos vales do Garonne (Scarre, 1992), reconhecível em algumas soluções decorativas das cerâmicas impressas; uma outra opção, no entanto, foi sugerida por R. Bradley, ao admitir "two major axis, one extending from the West Mediterranean around the coastline of Portugal and Spain and into Western France. The other appears to have connected northern France and the British Isles with developments that began in the Rhineland" (Bradley, 1997: 23).
Seja como for, é indiscutível que na Bretanha se cruzaram influências cardiais e LBK, confluência patente na própria diversidade da monumentalidade neolítica bretã.
No Alentejo Central, a cultura material dos mais antigos povoados neolíticos insere-se, sem discrepâncias, nos conjuntos do ocidente mediterrânico e, em particular, do Sudoeste da Península Ibérica.
Em suma, as analogias que detectamos entre os megalitismos alentejano e bretão devem derivar preferencialmente dos respectivos substratos mesolíticos, até porque, nem num caso nem no outro, encontramos menires nos contextos culturais de que se podem fazer derivar as respectivas culturas materiais neolíticas.
No Ocidente francês, A. Sherrat, frisando o facto de as datas atribuíveis aos conjuntos com cerâmicas impressas, de filiação meridional, serem mais altas que as que se admitem para os primeiros monumentos neolíticos, procura relacionar estes com a chegada das influências do Neolítico centro-europeu (Sherrat, 1990: 152), o que, apesar de ser verosímil para os túmulos alongados, dificilmente se pode aplicar aos monumentos megalíticos, em particular os menires.
A simbologia dos báculos, para os quais se têm proposto leituras muito diversas, pode, na minha opinião, inserir-se, perfeitamente, no ambiente mental que caracteriza o arranque da neolitização; o báculo simboliza a adopção do modo de vida pastoril, porquanto representa, de uma forma naturalista, o instrumento que materializa o domínio do pastor sobre o rebanho (Thorpe, 1996: 59; Calado, 1997a: 47).
O báculo, exibido quase sempre em lugar de destaque na superfície dos grandes menires, parece implicar a afirmação veemente de uma opção, de um novo estilo de vida.
É claro que se trata de um símbolo que permaneceu (ou reapareceu) em momentos posteriores, tendo, com o tempo e noutros contextos culturais, ganhado conotações mais complexas. Os báculos egípcio e cristão, por exemplo, passaram a evocar o domínio (espiritual e não só) do chefe sobre o "rebanho"; é neste contexto de perenidade dos grandes símbolos que eu creio que devemos avaliar o significado dos báculos, já muito estilizados, que ocorrem, como objectos móveis, no megalitismo funerário alentejano (Calado, 1997a: 47).
Para concluir esta aproximação entre menires bretões e alentejanos, convém ainda apontar e comentar algumas das diferenças mais notórias.
Desde logo, a escala. Ainda que morfologicamente (e em termos de matéria-prima) os menires decorados do Morbihan se aproximem dos seus congéneres alentejanos, as dimensões daqueles apresentam geralmente valores (comprimento, espessura e peso) que, no mínimo, duplicam os destes.
Esta diferença deve relacionar-se, à partida, com os potenciais demográficos diferenciais em ambas regiões, por sua vez compreensíveis em função de factores naturais e factores humanos. Entre os primeiros, salienta-se o facto de o Morbihan ser uma área de grande potencial ecológico: às aptidões agrícolas e ganadeiras da região somam-se os recursos estuarinos e marinhos, ausentes no Alentejo Central.
A neolitização das comunidades mesolíticas bretãs não implicou o abandono da região: efectivamente, parece verificar-se uma certa interiorização do povoamento, mas nada que se compare com o Alentejo em relação aos estuários do Tejo e do Sado.
A associação do báculo e do machado, corrente nos menires bretões, parece implicar uma neolitização assente na pastorícia e na agricultura; pelo contrário, a ausência de machados nos menires alentejanos pode traduzir uma neolitização em que a componente agrícola, a existir, teria um peso pouco importante, hipótese que, até agora, não é contrariada pelos dados arqueológicos.
Na Bretanha, a chegada dos influxos culturais oriundos das terras loessicas, onde a agricultura (e a domesticação dos bovinos) está bem documentada, desde o início, pode ajudar a explicar algumas das diferenças patentes na iconografia.
O recurso aos bovinos domesticados como força de tracção para o transporte e erecção dos menires, embora difícil de comprovar, poderia igualmente explicar as diferenças de tamanho entre os menires bretões e alentejanos; neste último caso, a pastorícia assentava, como é de regra no Neolítico mediterrânico, na criação de ovi-caprinos.
A representação de um bovino no menir cujos fragmentos se repartem pelos monumentos da Table des Marchand, Er-Grah e Gavrinis, pode aliás representar simbolicamente essa realidade.
Recordemos a surpreendente leitura recentemente avançada por Cassen e Vaquero-Lastres (Cassen e Vaquero-Lastres, n.p.) de que a "hache-charrue" que encima o conjunto iconográfico patente nesse menir representa de facto uma baleia: essa interpretação permite-nos "ler" uma sequência ordenada das diferentes actividades económicas eventualmente praticadas pelos povos que o erigiram. De baixo para cima, temos o machado, o báculo, a cabra, o boi e a baleia, simbolizando a agricultura, as pastorícias (de ovicaprinos e de bovinos) e a caça/pesca.
As categorias enunciadas não se esgotam naturalmente nas óbvias conotações económicas. Reflectem possivelmente ideologias, conflitos e negociações entre formas de vida que constituiriam, nessa altura e nessa região, as opções fundamentais.
No entanto, se aceitarmos um referente económico para os símbolos expostos publicamente nesse monumento, compreendemos talvez melhor a magnificência do megalitismo bretão: à diversidade ecológica corresponderia talvez uma diversificação económica herdeira de três mundos convergentes: o forte substrato mesolítico e os influxos culturais recebidos da bacia parisiense, por um lado, e do mundo mediterrânico-atlântico, por outro.
No Alentejo Central, a neolitização parece ter ocorrido de forma mais traumática: foram abandonados os territórios tradicionais e, ao mesmo tempo, todo o extraordinário potencial ecológico/económico que eles ofereciam. Trocou-se a foz pela nascente. Trocou-se uma paisagem com água e sem rochas por outra muito mais seca e rochosa. O báculo é o único símbolo com conotação económica óbvia representado nos menires alentejanos e, nos espólios artefactuais do Neolítico Antigo alentejano, escasseiam os indicadores arqueológicos da agricultura: rara pedra polida, escassos elementos de mós (Diniz e Calado, 1997).
No Morbihan, por muito que as actividades recolectoras estuarinas tenham decaído com a adopção da nova economia neolítica e que a baleia das "hache-charrue" remeta mais para aspectos simbólicos sem uma verdadeira implicação económica directa, é óbvio que os construtores de menires tinham à disposição uma riqueza acrescentada, proporcionada pelos recursos aquáticos.
Creio que podemos sintetizar as principais diferenças paisagísticas, recordando que os grupos mesolíticos do Tejo-Sado viviam longe dos granitos e os neolíticos do Alentejo Central viviam longe dos estuários. No Morbihan, os granitos e o estuário são a mesma paisagem.

 

6. O paraíso perdido

É difícil, como acima sugeri, interpretar as analogias entre o Tejo-Sado e a Bretanha em termos de focos autónomos de "invenção" do megalitismo. Houve, sem dúvida, desenvolvimentos diferentes, mas é necessário aceitar contactos directos, eventualmente privilegiados, entre as populações mesolíticas e em vias de neolitização das duas áreas, entre os VI e V milénios BC. Em momentos posteriores, houve diversificação e alteração desse quadro de relações, a avaliar sobretudo pelos diferentes soluções das arquitecturas funerárias.
No Alentejo Central, a descoberta de cada vez mais monumentos funerários fechados, em situações que sugerem anterioridade em relação às antas de corredor, permite, sem dúvida, novas pontes entre a Bretanha e Portugal, incluindo a Galiza (Bello-Diéguez, 1995: 49) e, menos directamente ou apenas um pouco mais tarde, a Irlanda.
Nesse quadro, a ligação por mar (Bradley, 1997) entre áreas tão afastadas como a Bretanha e o Tejo-Sado parece a mais plausível, sobretudo porque os principais elementos comuns (concheiros, recintos em ferradura, menires decorados com báculos), não parecem existir em mais nenhuma área intermédia, o que parece afastar a hipótese de uma rota terrestre.
Quando, há dez anos, escrevi que "os menires poderiam, assim, representar os primeiros momentos da ocupação da região pelas gentes megalíticas, desempenhando, enquanto elementos humanizadores do espaço, um papel de apropriação e identificação semelhante ao dos padrões dos descobrimentos" e observava que "os cromeleques de Cuncos, Portela de Mogos e Almendres localizam-se aproximadamente sobre a linha de festo que separa as bacias do Tejo e do Sado", ou mesmo quando estabelecia alguns paralelos com a Bretanha (Calado 1990), não ousei nunca implicar os mesolíticos no processo.
Em 1993, escrevia já que "os menires poderão constituir os vestígios físicos dos rituais de fundação das primeiras redes de povoamento sedentário que se foram estruturando a partir das comunidades instaladas no litoral e nos estuários dos grandes rios" (Calado, 1993: 296); em 1995, propunha, finalmente, que "o abandono dos concheiros e o eventual colapso do modelo económico em que estes floresceram, poderiam estar na origem da instalação das respectivas populações no interior alentejano, no limiar dos territórios tradicionalmente explorados com um modelo económico de largo espectro"(Calado, 1995).
Foi, reconheço agora, uma questão de escala: tratava-se, de início, de um olhar inconscientemente encerrado nas fronteiras do Alentejo Central.
Parece-me, em contrapartida, que a maioria dos autores que se tem recusado a relacionar os concheiros do Tejo-Sado com o Alentejo Central, fê-lo, inconscientemente, por razões de ponto de vista, isto é, por terem abordado a questão numa perspectiva marcadamente litoralista.
Hoje, creio que o "colapso do modelo económico" dificilmente explica, só por si, as profundas rupturas sociais e mentais que se adivinham no contexto da neolitização regional.
A questão de fundo, com que gostaria de terminar, é: o que motivou o abandono dos estuários e a radical opção pelo interior e até que ponto esta questão se poderá relacionar com o título deste trabalho?

 

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